data: 7, 8, 9, 10 e 11 de Dezembro de 2007.
locais:
- Mercado Central - Coreto - Avante / Lençóis - Bahia

submidialogia 


"O sistema capitalista, patriarcal e espetacular, não funciona a base de encontros, sejam eles ministeriais ou de dignitários. O coração da sociedade espetacular-mercantil é feito de cristal, de vidros polidos que ao mesmo tempo refletem o retrato do consumidor, da consumidora, e lhes apresentam a mercadoria deificada. Quebrando os símbolos da opressão, o envitrinamento e o domínio sobre bens que poderiam ser úteis de outro modo, o Black Block alcançava a primeira vitória que abriria o novo milênio"
Nicolas Phebus

Quais são as máscaras e máquinas que a dominação capitalista veste? Onde elas estão?


A dominação cultural se efetua de longa data, de forma subterrânea. Antes mesmo do capitalismo, já existiam os problemas relativos às raças, às castas, ao sexo, determinantes e perpetuados na formação da sociedade tal qual ela é hoje. Valores que são introjetados e reproduzidos, consciente ou inconscientemente.

O estado é, sem dúvida, um dos principais meios de dominação política do capitalismo, através de exércitos, polícias, escolas, legislaturas, geração de empregos, construções faraônicas, cooptação de ativistas e militantes, manutenção de sistemas corporativos etc. Obviamente este não é o único, nem o maior ou mais eficiente meio de dominação do capital, que também é fortificado por instituições como as igrejas e a família, autônomas em relação ao primeiro, com seus próprios sistemas e mecanismos de decisão e controle, onde cabe ao patriarcalismo gestionar as normas entre os macro-sistemas. Ubíquo, o capital neoliberal global é conjurado em sistemas e instituições como a Organização Mundial para a Propriedade Intelectual (OMPI), a Organização Mundial do Comércio (OMC), os Tratados de Livre Comércio (TLC), como a ALCA (Área de Livre Comércio das Américas), o Convênio de Diversidade Biológica ou a CNTBio, no Brasil, dentre muitas outras.

Os meios de comunicação são também parte constituitiva do poder capitalista neoliberal. Estes detêm hegemonia na produção, manipulação, circulação e difusão das informações. Têm o poder de determinar a opinião pública e, quando em discordância com o estado, subordina-o a seus próprios interesses. Constroem as regras do jogo. E o jogo. Têm autonomia sagrada de funcionamento e funcionam de acordo com o lucro e poder. Operam a dominação a partir de duas coordenadas: a cultural, na reprodução dos valores, modos de vida, preconceitos; e a política, cotidianamente alterada através da informação.

Atualmente o capital, tendo quase exaurido as possibilidades para uma expansão colonial geográfica, bem como ampliadas as limitações ao espaço virtual, apresenta sua invasão de uma nova fronteira – o espaço molecular orgânico vital. O capitalismo pós-industrial, como o próprio nome sugere, já não possui mais bens materiais para se apropriar, mas um punhado de outras coisas: os bens imateriais. O conhecimento, a transmissão dos mesmos, as expressões artísticas, as expressões culturais em geral e até mesmo a vida se converteram em matéria desejável e apropriável. Esta apropriação também tira dos nossos corpos o direito à escolha reprodutiva, coibe-nos com sistemas alimentares industrializados genocidas, prende-nos a meios de transportes automotores, varre-nos a apartamentos em grandes metrópoles ou salas em subúrbios de pequenas cidades. E assistimos sentados à apropriação do conhecimento comum.

Investigar quais os diferentes formatos de apropriações capitalistas, sobre quais termos, sob quais circustâncias e quais as reais consequências destas. Táticas de resistência (sobrevivência) consistentes só poderão se formar quando questões culturais forem trabalhadas ao lado das questões políticas, por não se tratarem de diferentes naturezas. Será preciso, ainda que precariamente, desdobrar esta ampla dominação, para conhecer pontos fortes e fracos e traçar estratégias de uma convivência em busca de autonomia, não só de sistemas estatais, mas de toda a complexa malha que mobiliza a atual formação do Capital e suas diversas táticas de apropriação.

Consideramos essencial que se aprofunde esta discussão de forma inesgotável.


Wanderllyne Selva, cartas vindas do Acre, 18 de outubro de 2004
 

Submidialogia #3: a arte de re:volver o logos do conhecimento pelas práticas e desorientar as práticas pela imersão no sub-conhecimento


"O mundo está em dicotomia convergente, mas vai mudar."
José Abelardo Barbosa de Medeiros

Mais do que nunca se torna complicado resolver o que prejudica e o que acrescenta aos movimentos que se apresentam como alternativa aos processos de criação da arte, da cultura, da linguagem, que a cada dia distanciam as pessoas umas das outras por criarem privilégios pra alguns exploradores. O contexto de ativismo midiático, artístico, ou de resistência cultural é cada vez mais tratado por regras exteriores e a vida do leblon da novela das 8 vira cada vez mais a sua própria vida.

Nesse sentido fica óbvio que a autencidade dos movimentos e seu poder de mobilização estão ligados essencialmente à autonomia que exercem na promoção de atividades e processos de elaboração e remix cultural, seja este qual for. Em todas as partes fica cada vez mais delicada a autonomia de pensamento e prática de grupos e redes que pretendem uma aproximação entre teoria crítica, arte, cultura e "re-(e)laboração" da mídia e seus meios de produção e controle.

Para discutir e aprofundar essa discussão comemoremos o Submidialogia #3, conferência que será sediada em Lençóis, estado da Bahia. É para esse encontro que estamos convidando você, abrindo também uma chamada para apresentação de *rituais de celebração do imaginário* e *exposições permanentes de experiências pseudo-intelectuais* relacionadas aos temas. Se existe um grupo, um ser, uma performance coerente ou expressões de discordância criativa em relação ao festival, estas poderão ser incluídas na programação através desta chamada.

"Os Cães Ladram, mas a Carruagem não passa"

Uma proposta de integração através de debates submidiáticos.

A iniciativa tem o objetivo de estimular uma reflexão crítica a respeito das transformações sociopolíticoculturais pelas quais a sociedade contemporânea pensa que passa e dos efeitos nos sujeitos que dela participam (o planeta é um sujeito).

A dignidade de cada pessoa baseia-se, entre outras tantas coisas, no fato de que só ela vê o mundo como ela o vê, só ela guarda em seu olhar e em sua voz uma história única. Por isso é preciso encontrar o outro, ouvir o outro, ser também outro.

Submidialogia é um projeto crítico multidisciplinar de arte, mídia e tecnologia participativas, de cujo processo artístico todos os agentes envolvidos, comunidade, teóricos, artistas ativistas e público, tomam parte. Através da realização de diferentes formas de oficinas e interações (convivências filosóficas, choques elétricos, intervenções cotidianas), do resgate de relatos orais e da criação de mecanismos de exposições dentro e fora das comunidades, o projeto busca equipar seus participantes com recursos para que falem de suas especulações, estudos avançados, práticas e que reflitam, através da experiência criativa, um pouco desta identidade conturbada pela velocidade da transformação econômico-social.

O ponto de partida do projeto é sempre o convívio, partilhar o dia-a-dia das comunidades e pessoas, impregnando-se pouco a pouco de suas histórias.


O segundo passo é a realização de integrações multimídia - fotografia-vídeo e som, momento de troca que busca inspirar processos criativos individuais e coletivos, assim como definir os temas a serem priorizados nas exposições a serem realizadas.

O terceiro passo é a montagem das exposições, momento em que se dá uma comunicação intensiva e integradora em dois sentidos. Ao transportar as vozes e as criações dos participantes para o espaço artístico, as reinserimos dentro da malha social de onde elas estão muitas vezes isoladas. Ao recontar, muitas vezes num tom desprovido de emoção, sua experiência , ao enumerar suas perdas e esperanças, estas vozes buscam ecoar no espaço do sensível de cada um de seus interlocutores. E é esta troca de
sensibilidades que aproxima o indivíduo e o coletivo. Público e Protagonistas confundem-se em um espaço que instiga a troca e a atenção, um espaço onde histórias pessoais conduzem para uma compreensão maior do fato social, sem distanciamentos, sem estereótipos.

submidialogia#1 (Campinas - SP)
http://radiolivre.org/submidia/submidialogia/

submidialogia#2 (Olinda - PE)
http://submidialogia.descentro.org/

Relatos, fotos e áudios das últimas edições
http://pub.descentro.org/submidialogia_o_estudo_da_subversao_dos_meios

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Leia mais sobre o tema, ajudando na construção do sub#3 em
http://midiatatica.descentro.org/wakka/wakka.php?wakka=SubmidialogiA3

Inscreva-se na lista de discussão!
http://lists.riseup.net/www/info/submidialogia